sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

COMENTÁRIO ACERCA DA MENSAGEM DE “L”




As redes sociais são uma realidade na vida de todos nós, na minha também. E aí a gente troca mensagens de texto, vídeos, memes com todo o tipo de pessoas. Pois bem: lá pela véspera do Natal mandei uma mensagem para os amigos, como vocês bem devem se lembrar (Cf.: https://teologiadahistoriabrasil.blogspot.com/2023/12/natal.html).

Recebi mensagens elogiosas e uma em especial que parecia uma crítica envolta num elogio bem caloroso. Não sou perfeito e tenho consciência que estou cheio de defeitos. Não fiquei magoado de forma alguma. Mas o texto merecia uma resposta, e sendo assim, procederei da seguinte forma: primeiro, vou publicar na íntegra o texto de L (não é o presidente, mas faz o “L”) e depois farei alguns comentários:

 

Não sou religioso...

Mas não é no governo do Lula que tem 33 milhões de pessoas passando fome...

Nem petistas nem lulistas fizeram destruição em Brasília influenciados por discursos de ódio,

Nem genocídio por covid,

Nem genocídio de indígenas,

Nem falando que negro é pesado por arroba colocando título de vagabundo, marginal e preguiçoso como sempre fazem com negros e indígenas nesse país...

Dólar caiu,

Preço da carne e alimentos caiu, inclusive da picanha, gasolina mais barata mesmo cobrando impostos e não tirando recursos dos estados pra fazer discurso e ação eleitoreira,

Inflação fechando o ano mais baixo que nos últimos anos,

Povo consumindo mais,

Inclusive esse Natal de barriga mais cheia sem ovos e sem fila de ossos...

Leis, medidas econômicas, reforma fiscal cumprida, metas fiscais cumpridas...

Só lembrando aqui de quem fez mais o bem para as pessoas...

Ainda não é o ideal, mas vai melhorar mais...

Enfim, não sou religioso, mas o homem e líder que Jesus foi fez diferença naquele período e ficou como exemplo assim como Budas, Martin Luther Kings, Mandelas, Gandhis...

Mas faço minha parte sem lembrar que essa data é comercial para muitos...

Importante é a solidariedade e fraternidade não deixarem de existir nos corações...

Um Feliz Natal pra você e para sua família!!!

Muita Saúde, prosperidade, sucesso!!!

Você não sabia, mas saiba que te admiro principalmente por estar sendo guerreiro cuidando dos seus pais com esse amor e coração grande que o mundo precisa...

Abração meu amigo!!![1]

“L”, agradeço do fundo do coração sua mensagem. Realmente ela aquece o coração da gente, tingindo de vermelho o órgão mais emblemático do nosso corpo, mesmo o de quem há mais de duas décadas não vota mais nos “vermelhos” (eu).

Mas como sou um chato me senti provocado em comentar uma frase em que você, L, fala do atual presidente “L” comentando que ele foi: quem fez mais o bem para as pessoas.

Não resisto e ponho mais pimenta nesse caldo.

Política não é o mais importante em uma pessoa. O caráter é. E se o governante anterior surrupiou jóias e o atual maquia dados econômicos com a ajuda da mídia “comunista” pra pagar de gatão, olha, isso é problema do governante anterior e do atual, não seu ou meu!

E muito menos é problema para Deus. Deus só sabe contar até um: olha para cada um de nós como uma criatura única, que Ele trata como filho adotivo, mas filho, com todos os direitos de herança. E mesmo se o “filho adotivo” faz como seu similar evangélico (Cf. Lc 15, 11-32) e cospe na mão que o acaricia e alimenta, Deus corre todos os dias pra beira da estrada ver se o filho rebelde não se mancou e volta pra casa do papai.

Em resumo, e como eu comentei na notinha anterior: você, L, pode não ligar pra Deus, mas Deus nunca deixa de ligar pra você. Penso que essa seria a mensagem adequada para a virada do ano: olhar para as pessoas e ver seres humanos e não ativistas desta ou daquela causa de caráter duvidoso, seja a causa do presidente “L” e seus pares, ou do presidente Bozo e seus pares.

Digo isso porque se o presidente anterior foi o pior da história e agora foi sucedido pelo melhor, que ironicamente foi um dos antecessores do anterior do atual, e o anterior do atual prometia ser o melhor e hoje é tachado pelos seus inimigos como o pior, olha, melhor deixar para os historiadores do séc. XXII julgar. Eu por mim já me sinto um velho barrigudo já meio sem cabelos e interesse nessas cruzadas sem santo graal pra recuperar e sem santo sepulcro pra libertar.

Sou um historiador que cada dia mais almeja o fim da história fora da história e do tempo (a parusia, como foi comentada por Santo Agostinho de Hipona, Jean Daniélou, Henri Irenée-Marrou) ao invés de lutar por um fim da história no tempo e na própria história (como foi apregoada por Hegel, Marx, Gramsci).

Em resumo, L, não me leve a mal, mas discordamos em quase tudo, menos no ponto essencial: o de que desejamos a todos os que nos suportam um feliz ano novo de 2024!!!!! Que assim seja!!!!!!!



[1] Enviado a mim via whatsapp no dia 24/12/2023.

domingo, 24 de dezembro de 2023

Natal

Estamos na véspera do Natal e uma sensação estranha me invade.

A cidade de São Paulo está mais vazia, silenciosa e deserta, o que em si não é ruim. Estou adorando: o trânsito mais sossegado, a rua mais silenciosa, o transporte público mais rápido e eficiente. Admito que nos últimos tempos passei a apreciar essa calmaria, pois me ajuda a relaxar, ler, meditar, rezar. Bom para a gente se preparar espiritualmente para o Natal.

Mas... tirando o hall de entrada do meu prédio, o presépio na minha sala e o mini presépio da minha mesa de trabalho não vejo os prédios e casas enfeitados como em anos anteriores. O que está acontecendo com todos? Cadê o tal espírito natalino?

Alguns explicam que isso é causado pela crise econômica global, que as medidas que o governo tomou ainda não surtiram efeito, que esse mau humor é culpa da oposição do Bozo ou seja lá de quem for; ou pelo contrário é sim culpa do governo Molusco, da guerra lá onde Judas perdeu as botas.

Mas na época em que o menino Jesus nasceu o mundo também vivia em guerra: a Pax Romana era imposta à força nas fronteiras do Império onde as legiões seguravam com dificuldade pictos, partos, germânicos, persas e muitos mais. Na Galileia, parte do reino judeu fantoche onde Jesus resolveu nascer, judeus e romanos viviam se detestando tanto que anos mais tarde realizariam em atentados terroristas onde os zelotes usavam uma adaga especial contra os malvados imperialistas...– sim, já existia isso naquela época!

A grande verdade é que o Natal não depende dos fígados, do estado de ânimo ou saldo bancário (ainda bem!). Nos lembra que Deus nos criou e nos amou apesar dos nossos erros, pecados e deficiências, tanto nasceu como um de nós. E mesmo assim: ele veio ao que era seu e os seus não o reconheceram. (João 1, 11).

Em resumo: você pode não ligar para Deus, mas Deus sempre liga pra você!

O Menino Jesus, Deus onipotente, veio para nos lembrar que o Criador não é distante e vingativo, mas caloroso e respeitador dessa liberdade humana que gosta de errar e fazer muita caca, e por isso que o mundo anda capenga porque os homens preferem o erro ao acerto e chegam a chamar o erro de acerto! O Deus-criança só quer que você se lembre Dele, e se puder vá a sua Igreja e o adore, em retribuição por ter feito tudo para que você existisse como existe neste exato instante.

Enfim, como diz um velho amigo meu vigia da paróquia: Feliz Natal!